O “dossiê” com 155 páginas, contendo informações técnicas, provas jurídicas e testemunhais sobre as injustiças cometidas contra o povo negro no período escravista e que mantém reflexos contemporâneos, foi entregue na tarde desta quinta-feira, 17 de dezembro, pela Comissão estadual da verdade da escravidão negra no Brasil da OAB/MG.

O documento foi recebido pelo atual tesoureiro da seccional mineira e presidente eleito para o triênio 16/18, Antônio Fabrício de Matos, durante reunião na sede da entidade.

O diagnóstico começou a ser produzido em 30 de junho de 2015 com a posse da Comissão, formada por profissionais multidisciplinares, em parceria com instituições de ensino e a Ordem mineira. Uma cópia foi enviada e anexada ao relatório nacional do Conselho Federal em outubro.

“Esse primeiro relatório nos deu um melhor direcionamento sobre onde ir e o que buscar. Nos surpreendemos com o resultado, pois, mesmo descobrindo fatos importantes como furtos e roubos de terra, descaracterização dos quilombos, crimes desumanos, existem ainda muito mais verdades ocultadas sobre a real história do povo negro no país. O trabalho ganhará ampliação e metodologia diferentes em 2016”, revela Daniel Moura, presidente da Comissão.

Antônio Fabrício, afirmou que o trabalho da comissão cumpre um papel sociocultural de grande importância, e terá todo o respaldo da OAB mineira, que tem como meta na próxima gestão, amplificar o diálogo forte com a sociedade civil por meio de várias ações.

“O conselho federal acertou muito ao criar essa Comissão e a seccional mineira em aceitar o desafio de desenvolver esse trabalho tão importante em Minas Gerais. Essa é uma página da história que merece e precisa ser contada”, enfatiza, o tesoureiro.

Próxima fase

A relatora da Comissão, Beatriz Bento de Souza, explicou que a continuidade dos trabalhos da comissão será embasado por cinco eixos temáticos:

1º- Levantamento e mapeamento dos acervos de natureza jurídica (processos civil e criminais de todas as comarcas do estado), entre outras ferramentas;

2º- Criação de catálogo de fontes sobre a escravidão;

3º- História oral das comunidades quilombolas e dos territórios afro-brasileiros;

4º- Aprofundamento da literatura publicada sobre as questões fundamentais sobre o tema;

5º Seminário temático: escravidão, cidadania e identidade, para apresentação completa da pesquisa.

Daniel Moura afirma que a conclusão de toda a pesquisa servirá para apresentar dados claros sobre um período que o estado ocultou.

“Assim que diagnosticarmos os crimes, enviaremos para os órgãos competentes para que sejam tomadas asa medidas cabíveis. Buscaremos também alteração nos livros didáticos da história da escravidão negra brasileira contada e ensinada há séculos de forma equivocada as nossas crianças. Com isso, reparar os vários erros, por meio de políticas de inclusão e acesso de maneira igualitária”, conclui, o presidente da Comissão.

FONTE:http://www.oabmg.org.br/noticias/7291/noticias_oab_mg